
Recentemente apercebi-me que, durante a maior parte do meu negócio, usei o conteúdo e as redes sociais como uma extensão de um padrão maior que existe na minha vida: querer ser útil.
Na verdade, o panorama na altura convidou-nos todas a isso.
E reforçou uma crença que existe em muitas de nós.
Quanto mais eu der, melhor.
E foi exatamente assim que construí a minha audiência e o meu negócio.
A explicar. Educar. Informar. Antecipar dúvidas. Responder.
No fundo, a ser útil.
Para mim, que venho de uma narrativa interna em que “tenho de me provar para…”, não só era um sítio confortável, como era o meu sítio.
Eu estava verdadeiramente no meu elemento. E a ter confirmação da minha crença: Quanto mais útil és, melhor. Quando mais dás, melhor.
Até que… o mercado mudou. E as pessoas não respondem mais a quem “dá”, mas a quem “é”.
O negócio (e a vida) está a convidar-nos a olhar para algo mais profundo. A nossa relação entre o dar e receber.
Porque se até aqui a lógica foi “tens de dar muito para receber”, hoje isso não se aplica.
O cliente que tu queres – aquele que reconhece o teu valor e está pronto para trabalhar – não quer dicas, informação ou educação. Quer saber que tu és a pessoa certa.
E isso significa que existe um (profundo) ajuste para nós, empreendedoras. Uma transição desconfortável, mas necessária.
Em que a identidade daquela que é útil, dá, entrega, está ao serviço, toma conta, antecipa, resolve e carrega tudo às costas… é convidada a abraçar a identidade daquela que está presente, alinhada e pronta para receber apenas as pessoas certas – sem ter de convencer ou provar.
Há mais de um ano eu decidi que não ia criar mais conteúdo “útil”.
E foi libertador perceber que não só eu continuo a ser vista e reconhecida, como agora sou vista e reconhecida pelas pessoas certas.
Trouxe-me uma leveza que seria difícil de explicar à Sara lá atrás.
Aquela que carregava o mundo às costas e sentia que tinha de sustentar tudo, caso contrário, nada acontecia.
A lição que eu precisei de aprender foi esta:
Eu não preciso de me estender e ser útil. Preciso apenas de ser eu.
Se as minhas palavras ressoaram contigo, e te reconheces neste padrão, quero que saibas que o meu trabalho existe para ti. Sabe como te posso apoiar aqui.